Como é viver com um 1 dólar por dia

Editora Globo

Nas aulas da faculdade de economia na Universidade de Claremont McKenna, Zach Ingrasci e Chris Temple descobriram que mais de 1,1 bilhão de pessoas no mundo vive com uma verba de menos de um dólar por dia. Como cresceram em famílias de classe média nos EUA, a ideia lhes pareceu absurda – tão absurda que eles decidiram passar pela experiência de viver desta forma. Eles foram para a Guatemala e, lá, gravaram um documentário chamado Living On One mostrando as dificuldades pelas quais o povo local e eles mesmos passaram.

O país foi escolhido porque Chris já havia trabalhado na Guatemala, em uma ONG na cidade turística de Panajache. Foi esta ONG que os ajudou a localizar a vila de Pena Blanca e fazer o primeiro contato com os habitantes locais. Eles passaram 56 dias lá, em companhia dos cinegrafistas Sean Leonard e Ryan Christoffersen, que os ajudaram nas gravações e também tinham que viver com a verba de um dólar por dia.

“Uma vez lá, sabíamos que não seríamos capazes de replicar exatamente o estado de pobreza, mas tentamos nos aproximar ao máximo da experiência”, conta Zack. Um exemplo é que muitos habitantes de Pena Branca ganham uma média de um dólar por dia, mas como eles trabalham informalmente, essa renda nunca é distribuida igualmente durante a semana ou pelo mês. Então os americanos dividiram sua verba individual de 56 dólares para o período todo em valores que iam de 0 a 9 dólares.

Todos os dias, eles precisavam sortear a quantia que receberiam – lembrando que se ganhassem mais em um dia, no outro provavelmente não teriam dinheiro nenhum. “Precisamos nos planejar com muito cuidado”, lembra Zack e ressalta que o dinheiro não era gasto apenas com comida, mas com material para acender uma fogueira, para comprar remédios e com outras emergências.

O resultado foi que, nos primeiros dias, os estudantes já haviam perdido peso. Eles enfrentaram girardia e infecções de e.coli – tudo isso se alimentando com a metade da quantidade ideal de calorias para sua dieta. “Sentimos na pele como as oportunidades faltam para essas pessoas”, afirma Zack. Ele cita a história de uma das habitantes de Pena Blanca, Rosa, que precisou sair da escola na sexta série para ajudar o pai doente. “Ela achou que seu sonho de virar enfermeira estava perdido, mas, graças a um microfinanciamento de 200 dólares, conseguiu continuar sua educação. E isso apenas com 200 dólares, quantia que parece muito pequena para nós”.

O impacto dos microfinanciamentos na região impulsionou Zack e Chris a aproveitarem seu documentário e a incentivar internautas a doarem dinheiro para ajudar as pessoas de Pena Blanca –  duas semanas depois do lançamento do filme, mais de 180 mil pessoas já conheceram o projeto e foi possível arrecadar 21 mil dólares destinados ao microcrédito na região de Pena Blanca.

Quer saber mais sobre o Livin On One? É possível ficar conectado com Zack e Chris através do Twitter e do Facebook. O próximo passo da dupla é distribuir o documentário de forma internacional.

Confira o trailer:

Fonte:  Galileu

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